Por fim, renunciar ao amor é beijar uma folha,
é deixar a chuva cair nua sobre sua cabeça,
é respeitar o fogo,
é estudar os olhos e os gestos do homem
enquanto fala,
é pôr o pão sobre a mesa
e uma faca, discreta, ao lado,
é atravessar multidões
como se fosse uma multidão de si.
Não amar é viver.
Amar é ser levado
a uma floresta onde se cava uma secreta
cova, cantando e louvando a escuridão
sob as árvores.
Viver é assinar o próprio nome,
é ignorar os mortos,
é carregar uma carteira
e apertar mãos.
Amar é ser um peixe.
Meu barco aderna no mar.
Vocês que são livres,
resgatem os mortos.
Trad.: Nelson Santander
Rescue the Dead
Finally, to forgo love is to kiss a leaf,
is to let rain fall nakedly upon your head,
is to respect fire,
is to study man’s eyes and his gestures
as he talks,
is to set bread upon the table
and a knife discreetly by,
is to pass through crowds
like a crowd of oneself.
Not to love is to live.
To love is to be led away
into a forest where the secret grave
is dug, singing, praising darkness
under the trees.
To live is to sign your name,
is to ignore the dead,
is to carry a wallet
and shake hands.
To love is to be a fish.
My boat wallows in the sea.
You who are free,
rescue the dead.

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