Vi a raposa correndo à beira da estrada
passando pelos rostos de tijolo dos condomínios, virados para longe,
passando pelo posto da Citco com sua fila de carros e caminhões
e ela corria, mancando, esquálida, pelagem opaca e emaranhada,
passando pela Jim’s Pizza, pela Wash-O-Mat,
pelo Thai Garden, os flancos arfando como foles,
e continuou correndo até onde a interestadual
cruzava a estrada estadual, chegou lá e seguiu correndo,
sob o viaduto e para além dele, passando pelas perfeitas
fileiras de casas em desnível, suas entradas de garagens idênticas,
seus quintais sem riachos nem florestas,
e, do meu carro em movimento, eu a observava,
impotente para fazer qualquer coisa que a ajudasse, certa de que ela estava
além de qualquer socorro, de qualquer desejo de salvá-la, e ela seguiu em largas passadas,
muito fora de seu elemento, ofegante, faminta, doente,
os olhos fixos em algum ponto à sua frente,
alguma possível salvação
em toda aquela desesperança, que só ela podia ver.
Trad.: Nelson Santander
The Undeniable Pressure of Existence
I saw the fox running by the side of the road
past the turned-away brick faces of the condominiums
past the Citco gas station with its line of cars and trucks
and he ran, limping, gaunt, matted dull haired
past Jim’s Pizza, past the Wash-O-Mat,
past the Thai Garden, his sides heaving like bellows
and he kept running to where the interstate
crossed the state road and he reached it and he ran on
under the underpass and beyond it past the perfect
rows of split-levels, their identical driveways
their brookless and forestless yards,
and from my moving car, I watched him,
helpless to do anything to help him, certain he was beyond
any aid, any desire to save him, and he ran loping on,
far out of his element, sick, panting, starving,
his eyes fixed on some point ahead of him,
some possible salvation
in all this hopelessness, that only he could see.

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