Tag: Regina Przybycien
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Wislawa Szymborska – O primeiro amor

Dizemque o primeiro amor é o mais importante.Isso é muito romântico,mas não é o meu caso.Algo entre nós houve e não houve,se deu e se perdeu.Não me tremem as mãosquando encontro as pequenas lembrançase o maço de cartas atadas com barbantese ao menos fosse uma fita.Nosso único encontro depois de anosfoi um diálogo de duas…
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Wislawa Szymborska – Para o meu próprio poema

Na melhor das hipóteses, meu poema, você será lido atentamente, comentado e lembrado. Na pior das hipóteses somente lido. Terceira possibilidade – embora escrito, logo jogado no lixo. Você pode se valer ainda de uma quarta saída – desaparecer não escrito murmurando satisfeito algo para si mesmo. Trad.: Regina Przybycien Do własnego wiersza W najlepszym…
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Wislawa Szymborska – Terroristas

Dias inteiros eles ficam pensando como matar, para matar, e quantos matar para matar muitos. Fora isso comem com apetite, rezam, lavam os pés, alimentam os pássaros, dão telefonemas coçando o sovaco, estancam o sangue quando machucam o dedo, se são mulheres, compram absorventes, sombra para as pálpebras, flores para os vasos, todos gracejam um…
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Wislawa Szymborska – Vida difícil com a memória

Sou um péssimo público para a minha memória.Ela quer que eu ouça sua voz incessantemente,mas eu me agito, tusso,ouço e não ouço,saio, volto e saio de novo. Ela requer todo o meu tempo e atenção.Quando durmo, é fácil para ela.De dia já nem tanto, o que a magoa. Me propõe zelosamente velhas cartas, fotos,revolve fatos…
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Wislawa Szymborska – Adolescente

Eu — adolescente? Se de repente ela me aparecesse aqui, agora, deveria saudá-la como a uma pessoa próxima, mesmo que me pareça estranha e distante? Derramar uma lágrima, beijar a testa somente pelo motivo de termos a mesma data de nascimento? Tanta dessemelhança entre nós que talvez só os ossos sejam os mesmos, o formato…
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Wislawa Szymborska – Bagagem de volta

Uma quadra de pequenas tumbas no cemitério. Nós, que vivemos muito, passamos furtivamente, como os ricos passam pelos bairros dos pobres. Aqui jazem a Zosia, o Jacek, o Dominik, prematuramente tirados do sol, da lua, da mudança das estações, das nuvens. Não juntaram muito na bagagem de volta. Fragmentos de vista não muito no plural.…
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Wislawa Szymborska – Sobre a morte sem exagero

Não entende de piadas,de estrelas, de pontes,de tecer, minerar, lavrar a terra,de construir navios e assar bolos. Quando falamos de planos para amanhãintromete sua última palavrasem nada a ver com o assunto. Não sabe sequer as coisasdiretamente ligadas ao seu ofício:nem cavar uma cova,nem fazer um caixão,nem arrumar a desordem que deixa. Ocupada em matar,o…
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Wislawa Szymborska – Visto do alto

Um besouro morto num caminho campestre. Três pares de perninhas dobradas sobre o ventre. Ao invés da desordem da morte – ordem e limpeza. O horror da cena é moderado, o âmbito estritamente local, da tiririca à menta. A tristeza não se transmite. O céu está azul. Para nosso sossego, os animais não falecem, morrem…
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Wislawa Szymborska – Autotomia

Em perigo, a holotúria se divide em duas:com uma metade se entrega à voracidade do mundo,com a outra foge. Desintegra-se violentamente em ruína e salvação,em multa e prêmio, no que foi e no que será. No meio do corpo da holotúria se abre um abismocom duas margens subitamente estranhas. Em uma margem a morte, na…
