Nick Flynn – Quinhentos anos

Nick Flynn – Quinhentos anos
                                                                                       No
sono nossas mãos se encontram. Lá fora,

a rua, pavimentada com tampas de garrafas — ontem
um carro estacionado reluzia, agora — mero caleidoscópio

de cacos de vidro verde. Você murmura

de um sonho, sinto
a noite pressionar meu peito, como a terra
calcando os mortos de volta à terra. Se tivéssemos

quinhentos anos para resolver isso
se depois de tanto tempo

nos lembrássemos, se ainda nos importássemos, se
tivéssemos dedos para cavar, se houvesse pás,

poderíamos nos encontrar, sangue
comprimido em rubis, pulmões em ardósia,

dedos amarelados, azul vazando
de seus olhos, meus sapatos, lado

a lado sob a janela,
como se eu tivesse simplesmente
esvaído de dentro deles, os seus,

rigidamente alinhados, como se você tivesse lutado.

Trad.: Nelson Santander






Five Hundred Years

                                                                       In
sleep our hands find each other. Outside,

the street, paved with bottlecaps—yesterday
a parked car glistened, now—a mere scatter

of green shattered glass. You murmur

from a dream, I feel
night press on my chest, like the earth
tamping the dead back into earth. If we had five

hundred years to work this out,
if after all that time

we remembered, if we still cared, if we
had fingers to dig, if there were shovels,

we could find each other, blood
compressed to rubies, lungs to slate,

fingers gone yellow, blue leaking
from your eyes, my shoes, side-

by-side beneath the window
as if I had simply
disintegrated out of them, yours,

toe-to-heel, as though you struggled.
Visualizações: 32

Receba novos poemas no seu e-mail

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *