Não tenho medalhas. Sinto, no peito,
a ausência de seu peso. Anos atrás, eu era ambicioso.
Mas agora está claro que nada vai acontecer.
Todos aqueles poemas que me fizeram planar a um palmo
do chão não foram tanto esquecidos quanto jamais
foram lidos, para começar. Deslizaram como luas
de luz em uma poça e se afogaram. Nem mesmo
a poça pode ser localizada agora. Ainda assim, sinto-me encorajado
pela forma como você se enforcou, como se dissesse que
tais coisas não importam. Você, o fabuloso poeta da
Mãe Rússia. Mas mesmo agora, colegiais
seguram seu coração morto, seus poemas, em seus colos
nas tardes quentes de agosto à beira do rio, enquanto esperam
seus namorados saírem do trabalho ou seus
amantes voltarem do exército, seus pets mortos
voltarem à vida. Para serem chamadas para o jantar. Você
tem uma nova vida nos colos delas e pode sentir o aroma
de lavanda, a nuvem de cabelos que cai
sobre você, sentir os pés delas roçando as águas do rio,
ou, escondido em uma bolsa, percorrer o Neva novamente. O melhor de tudo:
você é usado de forma cruel como um buquê de flores que as faz
se despirem dos vestidos nos apartamentos. Veja a
tubulação a vapor correndo pelo teto. A corda.
Trad.: Nelson Santander
To Rose (from “Letters to Yesenin”)
I don’t have any medals. I feel their lack
of weight on my chest. Years ago I was ambitious.
But now it is clear that nothing will happen.
All those poems that made me soar along a foot
from the ground are not so much forgotten as never
read in the first place. They rolled like moons
of light into a puddle and were drowned. Not even
the puddle can be located now. Yet I am encouraged
by the way you hung yourself, telling me that such
things don’t matter. You, the fabulous poet of
Mother Russia. But still, even now, school girls
hold your dead heart, your poems, in their laps
on hot August afternoons by the river while they wait
for their boyfriends to get out of work or their
lovers to return from the army, their dead pets to
return to life again. To be called to supper. You
have a new life on their laps and can scent their
lavender scent, the cloud of hair that falls
over you, feel their feet trailing in the river,
or hidden in the purse walk the Neva again. Best of all
you are used badly like a bouquet of lowers to make
them shed their dresses in apartments. See those
steam pipes running along the ceiling. The rope.

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