Mary Oliver – A serpente negra

Foi quando a serpente negra
apareceu na estrada de manhã,
e o caminhão não conseguiu desviar –
morte, é assim que acontece.

Agora ela jaz enrolada e inútil
como um velho pneu de bicicleta.
Eu paro o carro
e a levo para o mato.

Ela é fria e reluzente
como um chicote trançado, bela e tranquila
como um irmão que morreu.
Eu a deixo sob as folhas

e sigo em frente, refletindo
sobre a morte: sua subitaneidade,
seu peso terrível,
a certeza de sua vinda. Contudo, sob

a razão, arde um fogo mais brilhante, que os ossos
sempre preferiram.
É a narrativa da sorte sem fim.
Ela diz para o oblívio: não comigo!

Ela é a luz no núcleo de cada célula.
Foi o que fez a cobra enrolar-se e fluir para frente
feliz durante toda a primavera através das folhas verdes antes
de chegar à estrada.

Trad.: Nelson Santander

The Black Snake

When the black snake
flashed onto the morning road,
and the truck could not swerve–
death, that is how it happens.

Now he lies looped and useless
as an old bicycle tire.
I stop the car
and carry him into the bushes.

He is as cool and gleaming
as a braided whip, he is as beautiful and quiet
as a dead brother.
I leave him under the leaves

and drive on, thinking
about death: its suddenness,
its terrible weight,
its certain coming. Yet under

reason burns a brighter fire, which the bones
have always preferred.
It is the story of endless good fortune.
It says to oblivion: not me!

It is the light at the center of every cell.
It is what sent the snake coiling and flowing forward
happily all spring through the green leaves before
he came to the road.

2 comentários sobre “Mary Oliver – A serpente negra

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