Pedro Salinas – De “La voz a ti debida” [39]

A tua forma de amar
é deixar-me que te queiras.
O sim com que tu te rendes
é o silêncio. Teus beijos
são oferecer-me os lábios
para que eu possa beija-los.
Jamais palavras, abraços,
me dirão que existias,
que me quiseste: jamais.
Dizem-mo as folhas brancas,
mapas, augúrios, chamadas;
tu, não.
E fico abraçado a ti
sem perguntar-te, de medo
que não seja verdadeiro
que tu vives e me ama.
E fico abraçado a ti
sem olhar e sem tocar-te.
Não desejo que descubras
com perguntas, com carícias,
essa solidão imensa
de somente eu te amar.

Trad.: Nelson Santander

 

Pedro Salinas – La voz a ti debida [39]

La forma de querer tú
es dejarme que te quiera.
El sí con que te me rindes
es el silencio. Tus besos
son ofrecerme los labios
para que los bese yo.
Jamás palabras, abrazos,
me dirán que tú existías,
que me quisiste: jamás.
Me lo dicen hojas blancas,
mapas, augurios, teléfonos;
tú, no.
Y estoy abrazado a ti
sin preguntarte, de miedo
a que no sea verdad
que tú vives y me quieres.
Y estoy abrazado a ti
sin mirar y sin tocarte.
No vaya a ser que descubra
con preguntas, con caricias,
esa soledad inmensa
de quererte sólo yo.

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