Enquanto isso1, o mundo segue fazendo sua primavera
como se nada estivesse acontecendo. Havia luz de sol
hoje sobre o solo da floresta, e o som dos pássaros
se acolhendo em casa, nesse outro lugar a que
ainda pertencem. Meu medo não encontrou respaldo
nos abetos-de-douglas centenários, que pareciam
tão firmes como sempre. Nem mesmo os enxames
de pequenas tsugas arranhando rumo à luz
ecoaram meu alarme. Todos eles apenas me deixaram ali ficar
com todos os zangões zumbindo no meu peito.
Alguns espelhos são grandes o bastante para mostrar
que até o fim do mundo, no fundo, não o é.
Trad.: Nelson Santander
- Escrito em março de 2020, nos primeiros dias da pandemia de Covid-19, o poema nasce do contraste entre a sensação humana de catástrofe iminente e a continuidade indiferente da natureza. A primavera, os pássaros e as árvores não anulam o medo do sujeito, mas o recolocam em perspectiva: mesmo quando o mundo parece acabar, a vida prossegue para além da escala individual. ↩︎
Meanwhile
Meanwhile the world’s still doing spring
like nothing’s happening. There was sunlight
on the forest floor today, and the sounds of birds
welcoming themselves home to another place
they still belong. My fear found no corroboration
in the old growth Douglas firs, who seemed
as steady as ever. Not even the swarms
of little hemlocks clawing towards the light
echoed my alarm. They all just let me be there
with all the hornets buzzing in my chest.
Some mirrors are big enough to show you
how even the end of the world really isn’t.

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