Euclides tinha o que hoje chamamos de horror
do infinito: a ideia de que algo —
qualquer coisa — pudesse simplesmente continuar,
indefinidamente. Os anos que passei em bares eram
assim (ilimitados, indefinidos), mas
eu temia mais eu mesmo fora daquelas
paredes. Agora estou de volta — uma mulher
na banqueta ao meu lado sorri. Não
estou bebendo, só esperando a comida
para levar, vestindo minha camiseta com o infinito
(um 8 deitado de lado) bordado
nas costas. Quando a mulher volta
do banheiro, ela desliza o dedo pelo
meu ombro & diz: Gosto da sua
camiseta do infinito. Depois me mostra
a parte interna do antebraço, uma tatuagem que parece
quatro Os lado a lado —
OOOO — os dois do meio sobrepostos.
Um duplo infinito, ela sussurra, como se
fosse um carro esperando lá fora. Isso é
bastante infinito, arrisco, mas queria ter
perguntado o que significa ter o dobro
daquilo que já é apavorante.
Trad.: Nelson Santander
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OOOO
Euclid had what we now call horror
of the infinite, that something—
anything—could simply go on &
on. The years I lived in bars were
like that (unbounded, indefinite), but
I feared more the me outside those
walls. Now I’m back—a woman
on the stool beside me smiles. I’m
not drinking, just waiting for some
takeout, wearing my shirt with infinity
(an 8 asleep on its side) stitched on-
to the back. As the woman returns
from the john, she runs a finger along
my shoulder & says, I like your
infinity shirt. She then shows me
her inner forearm, a tattoo that looks
like four Os laid beside each other—
OOOO—the middle two overlapping.
A double infinity, she whispers, as if
it were a car waiting outside. That’s
a lot of infinity, I offer, but I wish I’d
asked what it means, to have twice
as much of what is already terrifying.
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