Felipe Fleury – Ressonâncias

Felipe Fleury – Ressonâncias

Ressonâncias

Já não escuto mais o silêncio
no mar, na noite, nos muros
ainda brancos nas esquinas.

Dizem que o silêncio, agora,
habita os abismos.

Do lado de fora, a motocicleta acelera
trincando as vidraças da noite,
e nada há que a impeça.

Saio do sono martelado de ecos.
Desisto do ruidoso sonho
sob este teto que me confrange.

No entanto, ainda escuto nitidamente:

o cosmos a expandir-se estrela a estrela ao infinito,
as nuvens enrodilhando-se no céu da infância,
o teu coração pulsante a quilômetros de distância.

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