Yves Bonnefoy – As Árvores

Olhávamos as árvores, era do alto
Do terraço que nos foi caro, o sol
Ficava junto a nós mais esta vez ainda
Mas retirado, silencioso anfitrião
No limiar da casa em ruínas, que deixávamos
A seu poder, imensa, iluminada.

Vê, dizia-te eu, ele faz deslizar
Na pedra desigual, insondável do nosso apoio
A sombra do teu ombro confundido ao meu,
A das amendoeiras junto a nós
E aquela até do alto dos muros que se mescla às outras,
Rota, barca queimada, proa que deriva,
Como excesso de sonho ou de fumaça.

Mas lá longe estão imóveis os carvalhos,
Nem mesmo a sombra deles se move, na luz,
São as margens do tempo que corre aqui onde estamos,
E é inatingível o seu chão, de tão veloz
Que é o fluir da esperança grávida da morte.

Toda uma hora olhamos para as árvores.
O sol ficava à espera, em meio às pedras,
Teve pena depois, e estendeu
Para eles, mais abaixo do barranco,
Nossas sombras que parecem atingi-los
Como, estendendo o braço, pode-se tocar
Por vezes, na distância entre dois seres,
Um instante do sonho do outro, que vai sem fim.

Trad.: Mário Laranjeira

Les Arbres

Nous regardions nos arbres, c’était du haut
De la terrasse qui nous fut chère, le soleil
Se tenait près de nous cette fois encore
Mais en retrait, hôte silencieux
Au seuil de la maison en ruines, que nous laissions
À son pouvoir, immense, illuminée.

Vois, te disais-je, il fait glisser contre la pierre
Inégale, incompréhensible, de notre appui
L’ombre de nos épaules confondues,
Celle des amandiers qui sont près de nous
Et celle même du haut des murs qui se mêle aux autres,
Trouée, barque brûlée, proue qui dérive,
Comme un surcroît de rêve ou de fumée.

Mais ces chênes là-bas sont immobiles,
Même leur ombre ne bouge pas, dans la lumière,
Ce sont les rives du temps qui coule ici où nous sommes,
Et leur sol est inabordable, tant est rapide
Le courant de l’espoir gros de la mort.

Nous regardâmes les arbres toute une heure.
Le soleil attendait, parmi les pierres,
Puis il eut compassion, il étendit
Vers eux, en contrebas dans le ravin,
Nos ombres qui parurent les atteindre
Comme, avançant le bras, on peut toucher
Parfois, dans la distance entre deux êtres,
Un instant du rêve de l’autre, qui va sans fin.

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