Giórgos Seferis – São Assim os Túmulos

São assim os túmulos. Cheios de flores, no princípio,
com a chama do pesar acesa por sobre a sua alvura.

E tudo quanto a vida inventa de consolo – as mãos caídas,
a cabeça baixa, a fonte dos lamentos –
acompanha as horas pétreas dos que jazem.

Depois, sob o sol indiferente, os passos vão-se embora
para que cada qual possa viver
a sua própria morte.

São assim os túmulos.

E das sombras da noite, com um sorriso mau,
eis que a velha aparece.
Juntando os dedos, ela apaga a chama
e recolhe as flores para seu amante.

(de Sala de Espera, 1957. Tradução de José Paulo Paes)

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