Tag: Memento Mori
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Paulo Henriques Britto – Memento Mori I

Nenhum sinal da solidão se vê lá onde o amor corrói a carne a fundo. Dentro da pele, no entanto, você é só você contra o mundo. Esta felicidade que abastece seu organismo, feito um combustível, é volátil. Tudo que sobe desce. Tudo que dói é possível.
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Ferreira Gullar – Redundâncias

Ter medo da morteé coisa dos vivoso morto está livrede tudo o que é vida Ter apego ao mundoé coisa dos vivospara o morto não há(não houve)raios rios risos E ninguém vive a mortequer morto quer vivomera noção que existesó enquanto existo
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Cecilia Meireles – Cantarão os Galos

Cantarão os galos, quando morrermos, e uma brisa leve, de mãos delicadas, tocará nas franjas, nas sedas mortuárias. E o sono da noite irá transpirando sobre as claras vidraças. E os grilos, ao longe, serrarão silêncios, talos de cristal, frios, longos ermos, e o enorme aroma das árvores. Ah, que doce lua verá nossa calma…
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Isabel Allende – Ruído

A vida é puro ruído entre dois silêncios abismais. Silêncio antes de nascer, silêncio após a morte.
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António Lobo Antunes

Com os anos a morte vai-se tornando familiar. Quero dizer não a ideia da morte, não o medo da morte: a realidade dela. As pessoas de quem gostamos e partiram amputam-nos cruelmente de partes vivas nossas, e a sua falta obriga-nos a coxear por dentro. Parece que sobrevivemos não aos outros mas a nós mesmos,…
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Ferreira Gullar – Os Mortos

os mortos vêem o mundo pelos olhos dos vivos eventualmente ouvem, com nossos ouvidos, certas sinfonias algum bater de portas, ventanias Ausentes de corpo e alma misturam o seu ao nosso riso se de fato quando vivos acharam a mesma graça
