Categoria: Jorge Valdés Díaz-Vélez
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – S.T.T.R. Sit Tibi Terra Levis

“S.T.T.L. Sit Tibi Terra Levis”, um poema de Jorge Valdés Díaz-Vélez que reflete sobre a memória e a ausência, evocando, com delicadeza, a figura de um ente querido que, embora ausente, permanece presente nos ecos da vida e nas lembranças do narrador, em um diálogo íntimo com a morte e o tempo.
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – Xochiquetzal

Xochiquetzal1 (Homenagem a Chuang-Tzu2) Ontem sonhei contigo. Vestias uma gabardine de pele, e por baixo nada.Era outono e estavas ensopadapela chuva; caminhavas em alguma gare de Madrid indo para lugarnenhum. Estancavas ocasionalmenteteus passos para sentires transluzentetua pele resplandecer ao luar de um espelho invisível em que haviaum homem que sonhava com uma mulhere uma mulher…
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Jorge Valdés Días-Vélez – Pro nobis

Pro nobis para José Emilio Pacheco Uma vez mais, abriu o Averno suas mandíbulas escaldantes. Assomam os pesadelos e o terror da morte se o sono o invade e se transforma em chama negra, se, ao dormir, o levam até ele, ao lagar luxurioso dos demônios. O menino, mudo, contempla sua silhueta e chora. Na…
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – Polaroide

Polaroide para Eugenio Montejo São sete contra a parede, em pé, e um sentado.Mal conservam os traços desbotados pelos anos. Os rostos resistem ao desgaste,embora já não possuam as cores vivasque ontem os distinguiram. Entre livros e taças,os olhares sorridentes, as mãos dadascelebrando a vida na prata e gelatina*se apagam na sépia de sua jovem…
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – As flores do mall

As jovens deusas, noturnasaparições (roupas escuras,prata queimando seus umbigos)na cadência da pista,começam a desbotarcom a premência dos anos,os problemas, talvez os filhosque ainda não têm. Olhamagora para os teus olhos com clarodesprezo (já tens quarenta)e pensas em certas palavrasde Baudelaire que lhes dariascomo se fossem teus frutos(se ao menos se aproximassem), sesoubessem quem foi o…
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – A última vez de Casanova

Giacomo se envolve no crepúsculo do Florian Perguntas-me, Lesbia, quantos dos teus beijosseriam suficientes para me satisfazer.Catulo Enquanto beijo tua boca, docedonzela na conquista, mordoas comissuras de tua mãee os lábios que tuas irmãscedem ao peso do desejo;beijo as próximas mulheresdistantes e ainda desconhecidaspor minha cobiça, aquelasque um dia serão tu em outratu, que agora…
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – Matzhevá

/ Em um livro do meu pai, leioa frase: «A ti, que me lês».É o título de uma elegiaescrita há dois séculos, ou um soprode solitude que se elevouao leitor imaginário de fora dos círculos do tempo.Essa linha guarda em cada sílabaa fresca impressão de sua veemência:ser uma semente indócil em algum dialimítrofe ao de agora,…
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – Formas migratórias

Formas Migratórias para Katia Alemann Aprendemos a amar a conta-gotasessas pequenas pausas de que se vesteo temporal para inundar a solidãodo lado de fora, o ramo entre violeta e ocre das tardes, o murmúriosemântico do céu. Nesta ordem,temos esmaecido a distância,a longitude sem proporção, as linhasque se relacionam com as coisas. Curtaslacunas de ar, esses…
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Jorge Valdés Díaz-Vélez – A outra rosa

Ela beijou na rosa(seu nome era um aguilhãofeminino e brutal)a imagem de outra rosa gravada em uma lousade mármore, cristalina.A luz era mais finae, ao tato, tão airosa quanto a flor que ardiasem pausa em sua memória.Em outro meio-dia, a rosa era ilusóriapromessa repartida;e o beijo, a outra vida. Trad.: Nelson Santander La otra rosa…
