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Konstantinos Kaváfis – O Prazo de Nero

Não ficou perturbado Nero quando ouviudo Oráculo de Delfos o prenúncio:“Teme ao ano septuagésimo terceiro.”Tinha tempo bastante a desfrutar.Só contava trinta anos. Muito dilatadoera o prazo que o Deus lhe concediapara cuidar-se dos riscos do futuro. Agora vai voltar a Roma um tanto fatigadoda magnífica fadiga que se traz de uma viagemtoda feita de dias…
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Carol Ann Duffy – Aliança

“Aliança”, um pequeno poema de Carol Ann Duffy em que a ausência se enrosca no tempo, e um círculo de metal torna-se símbolo do que persiste entre o que foi e o que ainda não é.
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Ana Martins Marques – Há estes dias em que pressentimos na casa…

Há estes dias em que pressentimos na casaa ruína da casae no corpoa morte do corpoe no amoro fim do amorestes diasem que tomar o ônibus é no entanto perdê-loe chegar a tempo é já chegar demasiado tardenão são coisas que se expliquemapenas são dias em que de repente sabemoso que sempre soubemos e todos…
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Anthony Abbott – Luz do entardecer

“Luz do Entardecer”, um poema de Anthony Abbott em que a beleza fugidia do mundo visível se entrelaça, de súbito, com a dor irremediável da perda — como se cada cena guardasse um presságio não dito.
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Moshé Ibn Ezra – São Túmulos de Tempos Antigos, Velhos

São túmulos de tempos antigos, velhos.Neles há gente que dorme um sono eterno.Nem ódio, nem inveja há no seu interior,nem amor, nem zangas de vizinhos.Os meus pensamentos não podem, quando os veem,distinguir entre servos e senhores. Versão de Francisco José Viegas, tradução do hebraico de Maria José Cano. REPUBLICAÇÃO: poema originalmente publicado na página em…
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Najwan Darwish – Fobia

“Fobia”, um poema de Najwan Darwish sobre a vertigem de existir entre o ser e o nada — e o exílio imposto àqueles que não se fixam em nenhuma forma.
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Sharon Olds – A linha

“A Linha”, um poema de Sharon Olds que sonda os contornos invisíveis da mortalidade, deixando entrever, no escuro, a fulguração do ser.
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Billy Collins – Casa vazia

“Casa Vazia”, um poema de Billy Collins em que o tempo suspende a perda e deixa, por um instante, que o olhar das coisas resista ao desaparecimento.
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Luis Alberto de Cuenca – O Retorno de Guilherme de Aquitania

“O Retorno de Guilherme de Aquitânia”, um poema de Luis Alberto de Cuenca que percorre os contornos do nada para revelar, no eco do silêncio, a essência invisível do poema.
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W. S. Merwin – Janeiro

“Janeiro”, um poema de W. S. Merwin que revela a poeira das estrelas em nossa carne, lembrando que somos frágeis lampejos do infinito olhando o infinito após a chuva.