Eunice de Souza – Convite

Tenta-me com uma visão de colinas
relva que é verde
pavões tão vulgares como pardais.

Podemos ler no pátio, diz ela,
ouvindo o picapau às voltas com a sua árvore,
admirar as rosas, colher fruta, contar estrelas.
Traga a tia, os cães, o periquito, diz,
escreva um ou dois poemas felizes.
De vez em quando, continua,
iremos até à aldeia
para sabermos como é que o mundo
não vai.

Trad.: Francisco José Craveiro de Carvalho

Invitation

She tempts me with the vision of hills
grass that’s green
peacecocks as common as sparrows

We can read in the courtyard, she says,
to the sound of the woodpecker working his tree,
admire her roses, pluck fruit, count stars.
Bring aunt, dogs, parakeet, she says,
writ a happy poem or two.
Once in a way, she says,
we’ll take a little walk to the village
to find out how the world’s
not getting on.

Jane Hirshfield – Alzheimer

Quando os ratos roem
um tapete velho e de boa qualidade,
as cores e os padrões
do que resta
não se alteram.
Como um leito de rocha, inclinado,
continua um leito de rocha,
as estrias roxas e vermelhas por interromper.
Grandeza inata que se não pode roubar.
“Como está?”, perguntei,
sem saber o que esperar.
“O contrário da alegria Keatsiana.” foi a resposta.

Trad.: Francisco José Craveiro de Carvalho

Alzheimer’s

When a fine, old carpet
is eaten by mice,
the colors and patterns
of what’s left behind
do not change.
As bedrock, tilted,
stays bedrock,
its purple and red striations unbroken.
Unstrippable birthright grandeur.
“How are you,” I asked,
not knowing what to expect.
“Contrary to Keatsian joy,” he replied.