Ao lado de uma idosa
que morre no corredor
ninguém se detém
Fitando o teto
há tantos dias
ela escreve no ar com o dedo
Não há lágrimas nem lamentos
ou mãos se retorcendo
não há anjos suficientes de plantão
Certas mortes são gentis e silenciosas
como quem cede o lugar
num bonde lotado
Trad.: Nelson Santander, do polonês a partir da versão para o inglês feita por Grazyna Drabik and David Curzon
In a Hospital
By the side of an old woman
who is dying in a corridor
no one stands
Staring at the ceiling
for so many days already
she writes in the air with her finger
There are no tears no laments
no wringing of hands
not enough angels on duty
Some deaths are polite and quiet
as if somebody gave up his place
in a crowded tram