Joan Margarit – Mari

Ela te acompanhou por muito tempo,
todas as tardes, na natação e na escola.
Foi tua amiga e também a confidente
daquela dolorosa adolescência
de lua de hospital e das tardes azuis
da lenta juventude. Foi a tua Mari,
as últimas visitas, quando teus olhos
pesavam-te interiormente como a morte
que apagou todo o brilho por trás das frias
vidraças embaçadas de passado.
Tu e Mari, teu sorriso e o sorriso dela,
água morna, o odor dos vestiários,
tu nadando, nadando para a morte.
Agora Mari o sabe e despede-se de ti
olhando para suas duas filhas.
Mari que, grávida,
recusou-se a fazer qualquer exame
porque ela jamais se preocupou
em dar à luz uma criança como tu.

Trad.: Nelson Santander

MARI

Ella te acompañó durante mucho tiempo
a nadar y a la escuela cada tarde.
Fue tu amiga y también la confidente
de aquella dolorosa adolescencia
de luna de hospital y azules tardes
de lenta juventud. Era tu Mari,
sus últimas visitas, con tus ojos
pesándote hacia dentro por la muerte
que apagó todo el brillo tras los fríos
cristales empañados del ayer.
Tú y Mari, tu sonrisa y su sonrisa,
agua tibia, el olor de los vestuarios,
tú nadando, nadando hacia la muerte.
Ahora Mari lo sabe y te despide
mirando a sus dos hijas.
Mari, que, embarazada,
se negó a someterse a prueba alguna
porque a ella jamás le preocupó
dar a luz a una niña como tú.

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