Francisco Brines – Discurso pagão

Achais, por acaso, que por crerdes
na imortalidade
ela vos deve ser dada?
Ela é obra da fé, do egoísmo
ou da desolação.
E, se existe, não importa não haverdes nela acreditado:
respostas ignorantes são todas humanas
se a morte interroga.

Continuai com vossos faustosos ritos, oferendas aos deuses,
ou grandes monumentos funerários,
as acolhedoras preces, vossa esperança cega.
Ou aceitai o vazio que virá,
onde nem mesmo um vento estéril soprará.
O que há de vir pertencerá a todos,
pois não há mérito em nascer
e nada justifica nossa morte.

Trad.: Nelson Santander

Alocución pagana

¿Es que, acaso, estimáis que por creer
en la inmortalidad,
os tendrá que ser dada?
Es obra de la fe, del egoísmo
o la desolación.
Y si existe, no importa no haber creído en ella:
respuestas ignorantes son todas las humanas
si a la muerte interroga.

Seguid con vuestros ritos fastuosos, ofrendas a los dioses,
o grandes monumentos funerarios,
las cálidas plegarias, vuestra esperanza ciega.
O aceptad el vacío que vendrá,
en donde ni siquiera soplará un viento estéril.
Lo que habrá de venir será de todos,
pues no hay merecimiento en el nacer
y nada justifica nuestra muerte.

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