Seamus Heaney – [Como todo mundo]

Como todo mundo, inclinei minha cabeça
durante a consagração do pão e do vinho,
elevei meus olhos para a hóstia e para o cálice levantados,
acreditei (seja lá o que isso signifique) que uma mudança ocorrera.

Fui ao genuflexório e recebi o mistério
em minha língua, voltei para o meu lugar, fechei meus olhos depressa,
fiz um ato de ação de graças, abri meus olhos e senti o
tempo começando novamente.

Nunca houve um drama
em que eu discutisse comigo mesmo ou com outra pessoa.
A perda ocorreu fora do palco. No entanto, eu não consigo
renegar expressões como “ação de graças” ou “hóstia”
ou mesmo “pão da comunhão.” Elas têm uma imorredoura
vibração e, como água de poço, atraem para o fundo.

Trad.: Nelson Santander

[Like everybody else]

Like everybody else, I bowed my head
during the consecration of the bread and wine,
lifted my eyes to the raised host and raised chalice,
believed (whatever it means) that a change occurred.

I went to the altar rails and received the mystery
on my tongue, returned to my place, shut my eyes fast, made
an act of thanksgiving, opened my eyes and felt
time starting up again.

There was never a scene
when I had it out with myself or with another.
The loss occurred off stage. Yet I cannot
disavow words like “thanksgiving” or “host”
or even “communion bread.” They have an undying
tremor and draw, like well water far down.

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