Jennifer Maier – Uma história verdadeira

Um homem idoso estava morrendo em um hospital,
contou-me um amigo médico.

Estava com oitenta e nove anos, e a vida toda fora um alfaiate em uma loja
embaixo do quarto onde nasceu.

Ele não tinha ninguém, então uma bondosa enfermeira de Gana
sentou-se com ele, uma mão sobre a

sua, segurando um sanduíche. As ondas
no monitor desaceleraram. Seu coração

era um pequeno barco vermelho na imensa maré
vazante. No fim, ele abriu

os olhos. Ar fresco, Ar fresco, ele disse, e porque
estavam no décimo segundo andar, as janelas fechadas,

a enfermeira se inclinou e exalou suavemente no topo de
sua cabeça, despenteando-lhe um pouco o cabelo,

e eles permaneceram assim por alguns minutos até
ele morrer, seu rosto voltado para a brisa.

Isso foi há muito tempo. Meu amigo se foi;
o hospital se tornou um terreno baldio.

Algumas noites desperto com essas palavras no ouvido,
incerto se são a súplica do velho judeu

ou a aragem de resposta da mulher africana,
ou a bela mentira que os uniu,

como um vinco e uma costura; a fria transparência do vidro
e a vasta corrente de ar azul além.

Trad.: Nelson Santander

A true story

An old man was dying in the hospital,
my friend the doctor told me.

He was eighty-nine, his whole life a tailor in a shop
below the room where he was born.

He had no one, so a kind aide from Ghana
sat with him, one hand in his

the other holding her sandwich. The waves
on the monitor slowed. His heart

was a small red boat on the long tide
going out. At the end he opened

his eyes. Cool air, Cool air, he said, and because it
was the twelfth floor, the windows sealed,

the aide leans over and exhales softly on the top of
his head, to ruffle his hair a bit,

and they stay like that for a few minutes until
he dies, his face turned to the breeze.

That was a long time ago. My friend is gone;
the hospital’s become a vacant lot.

Some nights I wake with those words in my ear,
unsure if they’re the plea of the old Jew

or the answering breath of the African woman,
or the beautiful lie that binds them,

like a dart and a seam; the cold clarity of glass
and the wide blue draft beyond.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s