Lisel Mueller – Coisas

O que aconteceu é que nos sentimos solitários
vivendo entre as coisas,
por isso demos ao relógio um rosto,
à cadeira um encosto,
à mesa quatro pernas robustas
que jamais sofrerão fadiga.

Calçamos nossos sapatos que têm línguas
tão macias quanto as nossas
e penduramos linguetas dentro dos sinos
para podermos ouvir
sua linguagem emocional,

e porque adoramos perfis elegantes
a jarra recebeu boca,
a garrafa um longo e fino gargalo.

Mesmo o que estava além de nós
foi reformulado à nossa imagem;
demos ao país um coração,
ao temporal um olho,
à caverna uma boca
para que pudéssemos passar em segurança.

Trad.: Nelson Santander

Things
/
What happened is, we grew lonely 
living among the things,
so we gave the clock a face,
the chair a back,
the table four stout legs
which will never suffer fatigue.
/
We fitted our shoes with tongues
as smooth as our own
and hung tongues inside bells
so we could listen
to their emotional language,
/
and because we loved graceful profiles
the pitcher received a lip,
the bottle a long, slender neck.
/
Even what was beyond us
was recast in our image;
we gave the country a heart,
the storm an eye,
the cave a mouth
so we could pass into safety.
 

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