Una Mannion – Sepultado agachado

Eles deslocam a terra com pequenas espátulas e pincéis e
por toda a semana as focas entoam um refrão desolado como se fosse para você.
Primeiro, o pé de uma pequena criança,
movimentos lentos do pincel em seus ossinhos,
sua forma na vala, ganhando definição, um lento nascimento
no canto do campo à beira da água.

Você está deitado de lado,
os joelhos puxados contra o peito
os finos ossos de seus braços
segurando-se sem as mãos
sua pesada cabeça inclinada para baixo em direção ao seu corpinho,
uma vírgula na terra,
como uma imagem de ultrassom do útero da terra
onde você permaneceu agachado por anos.

Ao lado de sua caixa torácica, uma solitária conta de vidro azul,
de sua orelha, um anel de bronze,
suas prendas de sepultura.
Se flores e ervas embalaram sua cabeça,
elas agora são pó.
Alguém o trouxe aqui
e o deitou cuidadosamente,
sua morte um segredo, sua história enterrada.

Na baía da lua
na ponta de terra onde o encontraram
os monturos estratificados se estendem em camadas temporais, como anéis de crescimento.
Agora é nossa vez na superfície do tempo
você e sua conta enterrada, a pré-história,
antes que houvesse palavras escritas para lembrar.
Uma sequência de dentes-de-leite ao longo do osso de sua mandíbula e
e os brotos para os dentes permanentes indicam sua idade.
Você tem dezoito meses.

Seus ossos no monturo são um mistério
As pessoas da Idade do Ferro não enterravam seus mortos
os corpos eram deixados ao vento, ou aos lobos ou às águas.
Mas não você.
Talvez tocando suas frias bochechas sua mãe
não pode abandonar seu corpo para a noite,
e para cá, onde a terra se projeta em direção ao mar e a maré se move,
um lugar que ela poderia encontrar novamente,
ela o trouxe.

Trad.: Nelson Santander

Crouched Burial

They move the earth with small trowels and brushes and
all week the seals sing a desolate chorus as if for you.
First a small child’s foot
slow sweeps of the brush across your small bones,
your shape in the ditch, taking definition, a slow birth
in the corner of the field by the water’s edge.

You are lying on your side
knees pulled into your chest
the thin bones of your arms
holding yourself without your hands
your heavy head bent low toward your small body,
a comma in the earth,
like an ultra sound picture of the earth’s womb
where you lay crouched for years.

Beside your ribcage, a single blue glass bead
for your ear a bronze ring,
your grave gifts.
If flowers and herbs cradled your head,
they are dust now.
Someone brought you here
and laid you down with care
your death a secret, your story buried.

In the moon bay
at the edge of earth where they found you
the midden’s shelves layer time, like growth rings.
Now is our turn on the surface of time
you and your buried bead, prehistory,
before there were written words to remember with.
A sequence of milk teeth along the bone of your jaw and
the buds to permanent ones spell your age.
You are eighteen months old.

Your bones in the midden are a mystery
Iron Age people didn’t bury their dead
bodies were left to wind, or wolves or water.
But not you.
Perhaps touching your cold cheek your mother
could not abandon your body to the night
and here, where the land juts out toward the sea and the tide moves,
a place she might find again,
she brought you.

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