Dana Gioia – Obrigado por lembrar-se de nós

As flores enviadas para cá por engano,
assinadas com um nome que ninguém conhecia,
estão murchando. O que faremos?
O vizinho diz que não são para ele,
e ninguém está prestes a fazer aniversário.
Deveríamos agradecer alguém pelo engano.
Um de nós está tendo um caso?
A princípio nós rimos, depois nos perguntamos.

A íris foi a primeira a morrer,
envolta em seu docemente enjoativo
e persistente perfume. As rosas
se desmancharam, pétala por pétala,
e agora as samambaias estão secando.
A sala cheira a velório,
mas ali elas ficam, muito à vontade,
acusando-nos de algum crime menor,
como o amor esquecido, e nós não podemos
jogar fora um presente que nunca possuímos.

Trad.: Nelson Santander

Thanks For Remembering Us

The flowers sent here by mistake,
signed with a name that no one knew,
are turning bad. What shall we do?
Our neighbor says they’re not for her,
and no one has a birthday near.
We should thank someone for the blunder.
Is one of us having an affair?
At first we laugh, and then we wonder.

The iris was the first to die,
enshrouded in its sickly-sweet
and lingering perfume. The roses
fell one petal at a time,
and now the ferns are turning dry.
The room smells like a funeral,
but there they sit, too much at home,
accusing us of some small crime,
like love forgotten, and we can’t
throw out a gift we’ve never owned.

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